O mal-estar na contemporaneidade.

Se é verdade que “toda obra de arte é filha de seu tempo e, muito frequentemente, a mãe dos nossos sentimentos” (Kandinsky, 1910), o que podemos dizer de nosso modo atual de existir, nossos medos e angústias, nossos vínculos e relações, nosso adoecer cotidiano, através de uma leitura da arte contemporânea? Desde a década deContinuar lendo “O mal-estar na contemporaneidade.”

Freud e a estética da estranheza.

Ainda que a relação da psicanálise com a arte tenha sido amplamente discutida por psicanalistas, artistas e críticos, não se pode dizer que o assunto esteja esgotado. O problema da estética, por exemplo, permanece polêmico. Teria a psicanálise legitimidade para interrogar a estética? É possível pensarmos uma estética de inspiração psicanalítica? Do mesmo modo, asContinuar lendo “Freud e a estética da estranheza.”

Versões do pai, ou porque precisamos de líderes?

Recentes acontecimentos nacionais instigam reflexão. A tumultuada campanha para a Presidência da República desnudou a enorme rachadura social que fere o Brasil. A gasta dicotomia direita/esquerda ganhou as cores branca e preta que se misturam nas etnias do pais. Ricos e pobres, brancos e pretos, direitistas e esquerdistas… etiquetas rasas e sem nuances. Somos, então,Continuar lendo “Versões do pai, ou porque precisamos de líderes?”

Esquerda, direita, volver.

Em banquete nababesco, destes de agradar Pantagruel, refastelam-se, lado a lado, gulosas, insaciáveis, a esquerda e a direita da minha terra. Mesa posta para 300 talheres, feita de tua madeira, de teu ouro, de tua louça, de teu linho. Feita de teu suor. Braços dados caminham a esquerda e a direita da minha terra. Cerram-se as mãos, selamContinuar lendo “Esquerda, direita, volver.”

Carta aberta aos príncipes e semideuses

Assisto comovida ao nascimento de heróis no seio da sociedade brasileira. Logo ela, tão mal formada, tão desnutrida, tão castigada pela história concebe cidadãos de invejável nobreza. Seres que impressionam pela irretocável noção da justiça e pela ampla capacidade de realizar julgamento sereno e livre de qualquer vício da paixão. Certamente são pessoas de reputaçãoContinuar lendo “Carta aberta aos príncipes e semideuses”

Se eu fosse mulher…

Adélia é moça bem nascida. Filha única de uma família reputada de Minas Gerais, é pessoa de fino trato, bem educada, inteligente, agradável de se ver. É simpática, conversada, polida na medida certa. Certa noite, ouvia calada a conversa entre sua mãe e sua avó. As duas costumavam se queixar da vida, dos maridos, dosContinuar lendo “Se eu fosse mulher…”

Narciso acha feio o que não é espelho.

Amar ao seu próximo como a si mesmo, já dizia Freud, é o mandamento mais difícil de ser obedecido. Aliás, se fosse natural ao homem amar ao seu semelhante, não teria Deus se dado ao trabalho de incluir esta regrinha básica entre os dez mandamentos. Estivemos sempre em guerra uns contra os outros, numa esferaContinuar lendo “Narciso acha feio o que não é espelho.”

Pedra que muito rola não cria limo

Todo mundo sabe que a menor distância entre dois pontos é uma reta, que toda estrada leva a algum lugar e que toda viagem tem um destino. Tendo em mente estas primeiras lições, partamos. Escolhemos um ponto de partida qualquer. Em geral o A, ou o zero, com variações aceitáveis. Será nosso local inicial. TenhamosContinuar lendo “Pedra que muito rola não cria limo”